Consumo
História
A primeira cooperativa do mundo nasceu nesse ramo e surgiu em Rochdale, na Inglaterra, em 1844.
Durante muitas décadas, esse ramo ficou muito limitado a funcionários de cooperativas,
operando a prazo, com desconto na folha de pagamento.
No período altamente inflacionário, essas cooperativas perderam mercado para as grandes
redes de supermercados e, atualmente, estão se rearticulando como cooperativas abertas
a qualquer consumidor. À medida que oferecer produtos mais confiáveis ao consumidor,
principalmente alimentos sem agrotóxicos, diretamente de produtores, também organizados
em cooperativas, esse ramo tem perspectivas de crescimento.
Como no cooperativismo internacional, também no Brasil as primeiras cooperativas foram as de consumo.
Em 1889, surgiu a Sociedade Cooperativa Econômica dos Funcionários Públicos de Ouro Preto, em Minas Gerais.
Dois anos depois, em Limeira (SP), foi fundada a Cooperativa dos Empregados da Companhia Telefônica.
No Rio de Janeiro, então Distrito Federal, surgiu a Cooperativa Militar de Consumo, em 1894.
No outro ano, foi constituída a Cooperativa de Consumo de Camaragibe, em Pernambuco.
Em 1913, surgiu a Cooperativa dos Empregados e Operários da Fábrica de Tecidos da Gávea,
sob a liderança e inspiração de Sarandi Raposo, também responsável pela fundação da
Cooperativa de Consumo Operária do Arsenal de Guerra, ambas no Rio de Janeiro.
No mesmo ano, na cidade de Santa Maria, Rio Grande do Sul, foi fundada a Cooperativa
de Consumo dos Empregados da Viação Férrea (Cooper), sob a inspiração de Manuel Ribas,
que trouxe o ideal cooperativista de uma viagem à Europa.
A Cooper desenvolveu-se ininterruptamente até 1964, sendo pioneira em múltiplas
iniciativas de caráter social, e chegou a ser considerada a maior cooperativa de consumo
da América do Sul. Numa época em que não havia previdência social organizada, a Cooper
criou uma Caixa de Pecúlios e montou um hospital próprio – a Casa de Saúde – destinado
a atender seus cooperados e dependentes. Fornecia assistência médica, odontológica e
jurídica.
A cooperativa desenvolveu uma rede de escolas primárias ao longo das linhas férreas,
conhecidas como "Escolas Turmeiras", que levaram a alfabetização aos filhos dos
ferroviários nos mais longínquos pontos do Rio Grande do Sul. Fundou uma escola
de "Artes e Ofícios", em nível de segundo grau, pioneira do ensino técnico,
responsável pela formação de bons profissionais, disputadíssimos pelo mercado de trabalho.
Montou oficinas de marcenaria, eletricidade, tipografia, tornearia etc., onde, ao lado da
formação de mão-de-obra técnica, eram prestados serviços aos cooperados por meio da fabricação
de móveis, equipamentos domésticos, reforma de motores, consertos diversos,
construção de moradias e outros.
A Cooper construiu, ainda, um parque industrial de apoio: fábrica de sabão,
torrefação e moagem de café, padarias, fábricas de bolachas, alfaiataria,
açougues com abatedouros próprios e farmácias, provendo todas as necessidades
de seu quadro social, que atingiu, em sua época áurea, cerca de 18 mil cooperados.
A partir de 1960, houve um abalo profundo no cooperativismo de consumo, devido,
principalmente, a três fatores básicos: repentina supressão das isenções tributárias,
principalmente, do Imposto sobre Circulação de Mercadorias (ICM); falta de
dinheiro para compra de novas mercadorias, por causa da inflação; e surgimento
dos grandes supermercados, com tecnologia bem mais desenvolvida.
Esses fatores foram tão drásticos que, em 1984, o número de cooperativas
estava reduzido a 12% das que havia em 1960. Ultimamente, as cooperativas
de produtores rurais abriram seções de consumo, com lojas e supermercados,
para atender às necessidades dos cooperados e mesmo da sociedade em geral.
As cooperativas de consumo precisam repassar aos cooperados mercadorias em
quantidade, qualidade e preços favoráveis, o que só é possível se elas
fizerem compras em comum, a exemplo da Europa, onde vários países se
reuniram em uma central única de compras. Com idêntica estratégia os
pequenos empresários, antes concorrentes, se reúnem para formarem redes
e centrais de compras e abastecimento.